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Guerras e Fome

A Polônia possui uma história de inúmeras invasões e guerras, em 1795 estava sendo dividida em três partes, dominada pela Rússia, Prússia e Áustria.

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Estes países procuravam enfraquecer a cultura polonesa, com proibição do ensino do idioma polonês e do catolicismo. As perseguições levaram ao empobrecimento e miséria da população, fazendo com que os lavradores perdessem suas terras. Em 1871 o território da Silésia estaria sobre o domínio da Alemanha unificada, aumentando ainda mais o sofrimento do povo.

A esperança – Utopia da América

O governo Brasileiro nos anos de 1870, necessitando substituir a mão de obra escrava e colonizando suas terras, promove grandes campanhas para atrair imigrantes. Os poloneses vêem nesta opção a oportunidade de sobreviver e poder com liberdade criar seus filhos. “Partiram atordoados. Libertavam-se da penúria, da opressão, da perseguição. Os que possuíam coração, os que amavam a mãe-terra, enxugaram as lágrimas em busca de areias cintilantes, para atirá-las aos olhos dos inimigos e cegar os tiranos.” Andrzej Dembicz.
A partir de 1870 começaram a chegar as primeiras famílias polonesas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Originárias da Silésia, da arredores de Opole. A viagem chegava a durar de 20 a 30 dias, em navios super lotados, sem as mínimas condições de higiene.

www.loc.gov/rr/print/list/picamer/paImmig.html

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Muitos dos imigrantes viajavam praticamente, só com a roupa do corpo, trazendo às vezes algumas poucas lembranças da pátria-mãe. Alguns eram acometidos de doenças durante a viagem, caso suspeita-se de moléstias contagiosa, os mesmo podiam ser atirados ao mar. Em Curitiba, segundo o professor Ruy C. Wachowiscz, de 1870 a 1890 chegavam quase 10.000 colonos, sendo fundadas as primeiras colônias de Santa Cândida, Tomas Coelho, Lamenha, Orleans( Colônia Dom Pedro II), Santo Inácio, D. Augusto. De 1870 à 1914 chegaram ao Brasil 102.196 imigrantes poloneses.

A força do trabalho Polonês

Ao chegar nas terras brasileiras os Poloneses não conheciam o clima, nem o solo, acostumados a vegetação aberta, encontram uma floresta de grande porte. Aos poucos foram cultivando a terra, tiveram que usar de sua criatividade, construindo casas de troncos, sem pregos.

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No princípio ficaram completamente isolados, deixados a sua própria sorte, a partir de 1930, houve mais integração com outras comunidades do Brasil

A Lavoura

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Como 95% dos imigrantes Poloneses, a agricultura foi seu grande forte. Dedicaram-se a cultivo de batatinha, cebola, milho, repolho e outras hortaliças.
Os outros 5% eram, de intelectuais, engenheiros, médicos, naturalistas e ex-combatentes de insurreições nacionais que não podiam ou não queriam ficar na pátria-mãe.

As Cores

Apesar do grande sofrimento histórico do povo Polonês, sempre foi um povo alegre, buscava no contrates das cores demonstrar a alegria que possuía. Além de suas festas e danças.

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A vida na Colônia Dom Pedro II

A colônia Dom Pedro II situada a 10 km de Curitiba atualmente pertencente ao Município de Campo Magro, foi fundada em 1876, sendo dividida em 28 lotes, abrangendo uma área total de duzentos e vinte e seis hectares. Em 1908 fundou-se a primeira escola, a qual era particular, com o objetivo de dar instrução aos filhos dos colonos, porém somente 30 anos depois foi reconhecida e registrada na Secretaria da Educação e da Cultura.

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O Casamento Polonês

O casamento sempre era arranjado pelos pais. O namoro só podia acontecer na presença dos pais, geralmente aos domingos. Possui um prazo mínimo de um ano. Quando dava certo resolviam se casar, o namorado escolhia o Druzba (Cerimonial), que era responsável pelo planejamento, organização e acompanhamento de todo o evento. Combinavam a data e o Druzba ia com o namorado a casa dos pais da noiva e pedia a mão da namorada aos pais. Sendo aceito, pegava as alianças e fazia o reskarsine (noivado). Então escolhiam a data. O noivo contratava alguns músicos, e acompanhado pelo Druzba, andava de casa em casa tocando valsas para fazer os convites e o Druzba servia bebidas. Naquela época não havia convite impresso. A festa do casamento só podia acontecer de segunda a quinta-feira. Sexta, sábado e domingo eram respeitados.

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Preparativos para a Festa

Os preparativos levavam uma semana, onde os amigos se reuniam em trabalho voluntário. As mulheres ajudavam a preparar a comida típica de forno e fogão, arrumação da louça e utensílios, preparavam cerveja caseira e licores. Os homens cuidavam da arrumação de paióis, montavam barracas de bebidas, limpavam em volta da propriedade e pintavam tudo. Os condes, damas e jovens que eram os auxiliares do Druzba, encarregavam-se de decorar as paredes da casa com flores de papel crepom colorido. Decoravam com ramos de cedro cheiroso as paredes e com taquara verde faziam arcos nos portões da propriedade. Decorando tudo com flores.

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Dia da festa

Na segunda-feira bem cedo chegavam os responsáveis pelo evento para receber os convidados. Na sala os músicos eram convidados pelo Druzba a tocar o canto Nossa Senhora Serdecna Matko e todos cantavam. Segundo a tradição Polonesa este canto, que é tocado em todas as festas.
A cada família que vinha, tocavam uma marcha. No bumbo havia um pequeno buraco redondo, aonde todos que vinham, colocavam dinheiro para facilitar as despesas do noivo. O Druzba recebia a todos os aperitivos. O Storosta (Auxiliar) levava em seguida todos para o café da manhã.
Para a benção dos noivos, o Druzba reunia todos na sala, onde havia uma bandeja coberta com lenço branco, onde os convidados colocavam dinheiro. Os pais e convidados faziam uma doação e recitavam versos que enfatizavam a despedida da vida de solteiro, para assumir as responsabilidades da vida de casado. No final todos eram avisados para fecharem os olhos e eram jogadas balas em todas as direções. Então os noivos se ajoelhavam diante dos pais e por três vezes recebiam a benção. A Druzbina também jogava água benta nos convidados. Após este ritual chegava o momento de levar os noivos à igreja, os quais eram conduzidos em carroças decoradas com flores. Na primeira carroça iam os noivos, na segunda os pais e convidados.

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Após a cerimônia religiosa os noivos recebiam os convidados novamente em casa entre 18:00h e 20:00h. Iniciava a dança da cadeira, que era uma espécie de jogo para arrecadar dinheiro para os noivos. Os convidados dançavam com os noivos, faziam doações, recebiam em troca cigarros, balas e aperitivos. Em seguida iniciava a Kolipka, disputa entre casados e solteiros, dançando e fazendo doações. Quem cansava ou acabasse caia fora do jogo. Até que restasse apenas um casal, que recebia os aplausos.

Despedida da Noiva

Era um momento especial, realizado pela Druzbina, Soroscina e Damas, que cantavam para os noivos um canto engraçado e todos davam risadas. A cada estrofe paravam, então as moças faziam roda em volta dos noivos. A noiva fazia a despedida de solteira com abraços e beijos. Então a noiva sentava no colo do noivo e ao mesmo tempo começava a despregar a grinalda até a retirada do véu, simbolismo de passagem para a vida de casada. Geralmente a festa de casamento durava 4 dias, esta era uma forma que este povo sofrido encontrou para ampliar o tempo dos momentos felizes.

As festas religiosas

O principal fator de integração social desde a chegada dos imigrantes foi a religiosidade que mantinha viva a cultura dos imigrantes. Do nascimento até a morte. A Igreja de Nossa Senhora da Anunciação era o centro de convivência da Colônia Dom Pedro II. Dois eventos que ocorrem até os dias de hoje destacaram-se, a Festa da Nossa Senhora da Anunciação, que até hoje ocorre no domingo que precedo o dia 25 de março e a Festa da Batatinha, que ocorre no segundo domingo de julho.
Na festa da batatinha, o dizimo era pago em produto, isto é, em batatinha, a qual era vendida para suprir as necessidades da Igreja. Nesta festa havia uma rainha e duas princesas, que obtinham seu título vendendo votos, sendo o dinheiro destinado às despesas da Igreja. Havia também muitas procissões as quais até os dias de hoje ocorrem, pois estes imigrantes e seus descendentes têm um grande orgulho de sua fé.

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A Família Anthozewics

A família Anthozewics é originária da Silésia, da aldeia de Sialowice, dos arredores da Opola. Uma região sobre o domínio da Alemanha unificada por volta de 1871. Na primeira massa de imigrantes, Martin Anthozewics, sua esposa Dorotha Anthozewics e seu filho Francisco Anthozewics de sete anos, chegaram à colônia Dom Pedro II, nas imediações de Curitiba.

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Opole Passado e Presente

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